Deputado Chiquinho Brazão Se Compara a Marielle Franco e Gera Polêmica

Deputado Chiquinho Brazão Se Compara a Marielle Franco e Gera Polêmica jul, 18 2024

Em uma audiência controversa realizada no dia 17 de julho de 2024, o Deputado Federal Chiquinho Brazão causou um alvoroço ao se comparar à vereadora da cidade do Rio de Janeiro, Marielle Franco, assassinada em 2018. Durante seu depoimento ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, Brazão declarou: 'Assim como Marielle Franco, sou uma vítima'. A gravação dessas palavras desencadeou uma enxurrada de reações de colegas parlamentares, da imprensa e do público em geral.

A comparação de Brazão chamou a atenção pela diferença gritante entre as trajetórias de vida dele e de Marielle. Marielle Franco era uma socióloga e ativista de direitos humanos reconhecida internacionalmente por seu trabalho em defesa das minorias e do combate às desigualdades sociais. Sua morte, em março de 2018, foi um golpe duro para a política brasileira e gerou mobilizações e protestos em várias partes do mundo.

Chiquinho Brazão, por outro lado, possui um histórico político distinto e, em algumas ocasiões, controverso. Seu depoimento ao Conselho de Ética foi motivado por uma denúncia de quebra de decoro parlamentar, envolvendo alegações de práticas incompatíveis com o exercício do mandato legislativo.

A declaração de Brazão gerou forte reação entre os membros do Conselho de Ética. A deputada Sara Souza classificou a comparação como 'inapropriada e ofensiva'. 'Comparar-se a uma ativista morta em circunstâncias tão brutais é desrespeitoso, e não reflete a realidade dos fatos', afirmou em comunicado à imprensa.

Contexto Histórico e Político

Marielle Franco foi uma figura política de relevância não apenas no Rio de Janeiro, mas também em todo o Brasil. Eleita pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), atuava em causas como os direitos LGBTQIA+, a defesa dos moradores de favelas e a luta contra a violência policial. Sua trajetória política e sua morte trágica seguem como um marco na história recente do país, e seu legado ainda perdura nas lutas sociais contemporâneas.

Brazão, que é deputado pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), tem uma carreira marcada por denúncias e acusações que vão desde supostas irregularidades administrativas até possíveis envolvimentos em esquemas de corrupção. A comparação feita por ele foi vista por muitos como uma tentativa de amenizar a seriedade das acusações que enfrenta, ao se colocar na posição de vítima.

Reações da Sociedade Civil

A sociedade civil, imediatamente após a veiculação da declaração de Brazão, manifestou-se através das redes sociais e em notas públicas. Diversos movimentos sociais repudiam a comparação, acusando o deputado de tentar diluir o impacto das acusações que recebe ao utilizar a figura de Marielle Franco, um símbolo da resistência e das lutas populares.

Movimentos estudantis, coletivos feministas e organizações de direitos humanos se manifestaram. 'Marielle Franco foi morta por lutar por uma sociedade mais justa. Tentar equiparar sua condição à de um parlamentar que responde a denúncias é ultrajante', declarou o Coletivo Marielle Vive em nota oficial.

A Defesa de Brazão

A Defesa de Brazão

Mesmo diante da controvérsia, Brazão manteve seu posicionamento. Em nota à imprensa, afirmou que suas palavras foram mal interpretadas. Segundo ele, a referência a Marielle visava apontar um 'sentimento comum de injustiça' que ambos teriam experienciado. 'Eu respeito profundamente a memória de Marielle Franco e lamento que minhas palavras tenham sido compreendidas de forma tão negativa', declarou.

Consequências Possíveis

O episódio coloca um novo holofote sobre Brazão, que já aguardava a decisão do Conselho de Ética sobre o seu futuro político. A percepção pública sobre suas intenções e a repercussão das suas palavras poderão influenciar diretamente no veredito dos parlamentares. Analistas políticos observam que a tentativa de equiparação pode ter sido calculada, mas o efeito obtido foi bastante oposto ao que se esperava.

No entanto, essa não é uma situação sem precedentes na política. Diversos políticos frequentemente buscam se associar a figuras emblemáticas para angariar apoio ou suavizar críticas. Em outros casos, existe uma tentativa de se posicionar como vítimas do sistema para despertar empatia. No cenário de Brazão, esse movimento encontrou forte resistência.

Legado de Marielle Franco

Diante de tal episódio, é relevante destacar o legado de Marielle Franco. Sua luta ainda ecoa fortemente nos debates públicos e nas ações de diversos movimentos. O trabalho dos coletivos de defesa dos direitos humanos e das iniciativas populares que carregam seu nome continuam a transformar o ambiente social e político brasileiro.

Marielle é lembrada por sua coragem e compromisso. Defendia desde pautas ligadas à educação e aos direitos das mulheres até denúncias de abusos cometidos por forças de segurança. Sua vida e morte são marcos na história ímpar da luta por direitos no Brasil. E são também um alerta sobre o caminho que ainda precisa ser trilhado para se alcançar uma sociedade mais equânime.

Em suma, enquanto Chiquinho Brazão enfrenta seu futuro político em uma situação delicada, Marielle Franco cintila como um exemplo de luta e resistência. A comparação feita por Brazão parece estar longe de obter o consenso almejado, e levanta um debate necessário sobre a responsabilidade das figuras públicas ao evocar memórias e simbolismos tão profundos e dolorosos.

15 Comentários

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    Iasmin Santos

    julho 18, 2024 AT 11:46
    brazão é o tipo de pessoa que acha que dizer que é vítima já resolve tudo
    mas marielle foi morta por lutar, ele tá aqui porque tá no lixo político
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    Marcos Roberto da Silva

    julho 19, 2024 AT 00:08
    A comparação proposta por Brazão revela uma falácia retórica de equivalência moral que não se sustenta sob qualquer análise estrutural da trajetória política ou do impacto simbólico das ações de cada sujeito. Marielle Franco operava dentro de um quadro de resistência epistêmica contra estruturas de poder hegemônicas, enquanto Brazão se insere em uma lógica de instrumentalização simbólica para desviar a atenção de acusações substantivas de má gestão e violação de decoro. A diferença não é apenas de escala, mas de ontologia política: um é um símbolo de luta coletiva, o outro, um produto da decadência institucional.
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    @pai.tri.fellipebarros Barros

    julho 20, 2024 AT 08:30
    OH MEU DEUS QUE ESCÂNDALO
    chiquinho se comparando a uma santa da esquerda
    como se ele tivesse alguma alma
    ele nem sabe o que é ser marginalizado, só sabe ser marginal
    isso aqui é puro teatro de mau gosto
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    marco antonio cutipa

    julho 20, 2024 AT 15:14
    A operação discursiva de Brazão é um caso clássico de cooptação simbólica por parte de agentes do establishment que buscam neutralizar a carga moral de figuras revolucionárias. A violência simbólica perpetrada por essa analogia não é meramente ofensiva - é epistemicamente violenta, pois dissolve a especificidade histórica da luta de Marielle sob uma narrativa de victimização vazia e performática. A ética parlamentar exige mais que retórica oportuna; exige responsabilidade histórica.
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    Murilo Zago

    julho 22, 2024 AT 05:29
    será que ele não viu o vídeo da Marielle falando sobre favela e polícia? ou ele acha que todo mundo que é criticado é vítima igual?
    isso é tipo eu dizer que sou igual ao Zé da Silva porque o meu chefe me xingou
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    Eletícia Podolak

    julho 23, 2024 AT 20:50
    não sei se é pior o que ele disse ou o jeito que ele disse
    tipo, sério, tentar se colocar no lugar dela?
    meu coração dói só de pensar
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    Ronaldo Pereira

    julho 23, 2024 AT 21:59
    e se ele tiver razão? e se todos nós somos vítimas do sistema?
    tipo, eu fui multado ontem por estacionar errado, isso é igual a ser assassinado?
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    Pedro Ferreira

    julho 24, 2024 AT 10:27
    a gente precisa parar de permitir que figuras públicas usem nomes de mártires como escudo. Marielle não é um emoji de luta pra ser usado em qualquer crise política. Ela é uma referência viva, e isso exige respeito, não manipulação. Se Brazão quiser ser ouvido, que fale por si mesmo, sem emprestar dor alheia pra valer.
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    Graciele Duarte

    julho 26, 2024 AT 08:06
    Mas e se... e se ele tiver sofrido algo tão profundo que a gente nem imagina? E se ele tiver sido traído? E se ele tiver perdido tudo? E se... ele só quer ser entendido? Não é justo ser tão cruel com alguém que... que tenta se expressar?
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    Daniel Gomes

    julho 27, 2024 AT 13:12
    sabe o que é mais estranho? o conselho de ética é composto por 12 deputados... e 7 deles são do PTB ou têm ligação com o PTB
    será que isso aqui é um esquema pra proteger ele?
    eu acho que tudo isso foi planejado pra criar simpatia antes da votação
    tem um vídeo antigo dele falando com um cara que tá preso por corrupção... e eles riam juntos
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    amarildo gazov

    julho 28, 2024 AT 08:07
    A analogia proposta pelo deputado Chiquinho Brazão carece de fundamentação ética e histórica, sendo, portanto, inequivocamente inadequada. A figura de Marielle Franco transcende o mero contexto político; ela representa a síntese da resistência popular contra estruturas de opressão sistêmica. A comparação, por sua vez, desvirtua o sentido da memória coletiva, reduzindo um legado de luta a um instrumento de defesa discursiva. Tal conduta, em termos de ética parlamentar, constitui um desrespeito institucional e moral.
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    Lima Caz

    julho 28, 2024 AT 18:45
    eu não sei se ele é mal-intencionado ou só não entendeu o peso das palavras
    mas o que importa é que a dor dela não pode virar um troféu de debate político
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    LEONARDO NASCIMENTO

    julho 29, 2024 AT 17:45
    Você acha que ele é burro? Não. Você acha que ele é malvado? Talvez. Mas o que realmente me assusta é que ele sabe EXATAMENTE o que está fazendo. Ele não está pedindo desculpas. Ele está jogando um jogo de poder. E o jogo é: se eu falar o nome dela o suficiente, vocês vão esquecer que ele é um ladrão. E vocês estão caindo nisso. Parabéns. A mídia, o público, o conselho... todos são peças nesse tabuleiro. E ele? Ele está vencendo.
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    Pablo de Carvalho

    julho 30, 2024 AT 00:35
    ah sim claro, o deputado que foi flagrado pedindo propina na frente da câmara é igual à mulher que foi fuzilada por denunciar milícias
    o que falta agora? um meme com ela segurando um cartaz que diz 'eu também sou corrupto'?
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    Alicia Melo

    julho 31, 2024 AT 10:43
    e se a comparação for válida? e se todos os políticos são vítimas do sistema? e se a verdade é que ninguém é inocente? e se Marielle também tinha defeitos? e se o que importa é que ele se sente injustiçado? vocês só querem odiar porque ele é do PTB

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