Paquistão declara 'guerra aberta' contra Afeganistão após ataques fronteiriços que mataram centenas
fev, 28 2026
Entre 26 e 27 de fevereiro de 2026, a fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão se transformou em um campo de batalha. O que começou como um intercâmbio de tiros e bombardeios isolados virou uma guerra aberta — e ninguém sabe ainda se há volta. Na quinta-feira, 26, forças do governo talibã afegão cruzaram a Linha Durand, a fronteira de 2.575 km que divide os dois países, e atacaram 15 postos militares paquistaneses. A retaliação veio no dia seguinte, com o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, declarando publicamente: "Estamos em guerra aberta". E não foi uma frase simbólica. O Paquistão lançou a Operação Ghazab Lil Haqq Afeganistão, um ataque aéreo maciço que atingiu 22 alvos, incluindo Kandahar, Cabo e Paktika.
Do bombardeio ao contra-ataque: como tudo começou
Antes da ofensiva de quinta-feira, o conflito já vinha fervilhando. No domingo, 22 de fevereiro, aviões paquistaneses bombardearam as províncias de Nangarhar e Paktika, matando pelo menos 18 civis, segundo o governo talibã. A ONU confirmou 13 mortes civis. O porta-voz afegão, Zabihullah Mujahid, disse que os ataques eram "um sinal claro de agressão contínua". Mas o que parecia um ato isolado se tornou o gatilho para algo muito maior. Na madrugada de sexta, 27, o Paquistão respondeu com o que chamou de "justa fúria" — e não poupou nada.
A Operação Ghazab Lil Haqq: um ataque sem precedentes
A Operação Ghazab Lil Haqq foi o mais amplo ataque aéreo do Paquistão contra o Afeganistão desde 2001. Segundo militares paquistaneses, os alvos incluíam quartéis-generais, depósitos de munição, bases logísticas e, o mais simbólico: Kandahar. A cidade, considerada o berço espiritual do Talibã, é onde se acredita que o líder supremo do grupo, Hibatullah Akhundzada, está escondido. Os drones e caças paquistaneses atingiram instalações militares em Paktia, Khost e Nangarhar, áreas onde o grupo Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) opera com apoio supostamente do governo talibã afegão. O Paquistão afirma ter matado 274 combatentes desde o início da escalada — um número que o Afeganistão chama de "propaganda".
Baixas que não batem: a guerra da informação
As versões das baixas são tão divergentes quanto os próprios lados. O Paquistão diz que 12 de seus soldados morreram, 27 ficaram feridos e um está desaparecido. Já o Afeganistão admite apenas 8 mortes entre seus soldados. Mas aqui está o mais estranho: o porta-voz afegão afirmou que suas forças não sofreram baixas durante a ofensiva de quinta-feira — e ainda capturaram 15 postos. Isso é impossível de confirmar. Não há observadores independentes na fronteira. Não há acesso da ONU aos locais dos combates. E os dois lados estão usando redes sociais como campos de batalha digital. O que se vê é uma guerra de narrativas tão intensa quanto a física.
Um conflito que veio de longe
Este não é um episódio isolado. As tensões entre Paquistão e Afeganistão vêm se aprofundando desde outubro de 2025, quando mais de 70 pessoas morreram em confrontos fronteiriços. Desde então, os postos de controle terrestre permanecem fechados. O Paquistão acusa o Talibã afegão de abrigar e apoiar o TTP — um grupo que já matou centenas de soldados paquistaneses em ataques dentro do território paquistanês. O Talibã nega, claro. "Nós defendemos soluções pacíficas", disse Mujahid. Mas a realidade no terreno diz outra coisa: em 24 de fevereiro, aviões de reconhecimento paquistaneses foram detectados voando sobre o espaço aéreo afegão. E, logo depois, drones afegãos atacaram instalações militares no Paquistão. Foi um jogo de xadrez com armas reais.
O que vem aí? Analistas veem uma escalada inevitável
Para especialistas ouvidos pela Reuters, o pior ainda está por vir. O Paquistão provavelmente intensificará operações militares dentro do Afeganistão para destruir bases do TTP — e isso pode levar a uma ocupação de longo prazo em território afegão. Já o Talibã, segundo fontes militares locais, está treinando milhares de guerrilheiros para ataques de surpresa nas fronteiras. O risco? Que o conflito se espalhe para o norte, onde o Irã também tem interesses estratégicos. E há outro fantasma: o que acontece se o Hibatullah Akhundzada for atingido? Será um sacrifício estratégico ou um martírio que unifica ainda mais o Talibã? Ninguém sabe. Mas o fato é que o Paquistão não recuará. E o Afeganistão não se renderá.
Os civis, os verdadeiros perdedores
Enquanto os generais discutem táticas, milhares de famílias estão fugindo das zonas de combate. Em Paktika, crianças dormem em cavernas. Em Kandahar, hospitais estão sem medicamentos. Em Quetta, no Paquistão, famílias de soldados mortos pedem respostas. O conflito não é só político — é humano. E o pior: não há mediadores. A ONU tentou, mas foi bloqueada pelos dois lados. A China, tradicional intermediária, permanece em silêncio. A Rússia? Está ocupada na Ucrânia. Os EUA? Não têm mais interesse na região. O Afeganistão e o Paquistão estão sozinhos — e o mapa da Ásia Central pode mudar para sempre.
Frequently Asked Questions
Por que o Paquistão atacou Kandahar especificamente?
Kandahar não é apenas uma cidade — é o centro espiritual do Talibã e o suposto esconderijo do líder Hibatullah Akhundzada. Atacar Kandahar é um sinal político e simbólico: o Paquistão quer desestabilizar a liderança do Talibã, não apenas destruir bases militares. É um golpe na legitimidade do regime afegão, não apenas em sua capacidade de combate.
O que é o TTP e por que ele é tão importante nesse conflito?
O Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) é um grupo terrorista que opera na fronteira entre Afeganistão e Paquistão. Responsável por centenas de ataques contra militares e civis paquistaneses desde 2007, o TTP é acusado pelo Paquistão de ser apoiado pelo Talibã afegão. Embora o Talibã negue, a presença de líderes do TTP em cidades afegãs como Khost e Paktia é confirmada por relatórios da ONU. Para o Paquistão, destruir o TTP exige atacar o Afeganistão — e é por isso que a guerra não é só de fronteira, mas de ideologia.
Há chances de uma solução diplomática agora?
As chances são quase nulas. O Paquistão exige a entrega de líderes do TTP e o fechamento de bases no Afeganistão — exigências que o Talibã considera humilhantes. Já o Afeganistão exige que o Paquistão pare os bombardeios e retire aviões de reconhecimento do seu espaço aéreo. Ambos estão em impasse. A ONU não tem acesso, e nenhum país regional tem interesse em intervir. A diplomacia está congelada — e a guerra, em plena marcha.
Como os civis estão sendo afetados?
Milhares de famílias fugiram das zonas de combate, especialmente em Paktika, Nangarhar e Khost. Hospitais estão sem suprimentos, escolas fechadas, e a ONU relata que 120 mil pessoas estão em situação de emergência alimentar. Em áreas como Quetta e Peshawar, no Paquistão, famílias de soldados mortos protestam pedindo que o governo pare a guerra. Mas o governo diz que "não há alternativa". O preço da guerra não está nas estatísticas militares — está nos rostos das crianças que não têm o que comer.
O que acontece se o Talibã afegão cair?
Ninguém sabe. Mas há temores de que o colapso do regime talibã leve a um caos ainda maior: uma guerra civil no Afeganistão, o surgimento de novos grupos extremistas e o aumento do tráfico de drogas. O Paquistão, por sua vez, teme que isso aumente o fluxo de refugiados e o recrutamento de militantes. A instabilidade não se limita ao Afeganistão — ela se espalha. E a região inteira está em risco.
O conflito pode se espalhar para outros países?
Sim. O Irã, que tem fronteira com o Afeganistão, já expressou preocupação com a instabilidade. A China, que investiu bilhões na região, está monitorando de perto. A Rússia, embora ocupada na Ucrânia, tem interesse em evitar que o Talibã se fortaleça. E os EUA, mesmo sem tropas, ainda controlam drones de vigilância. Se os ataques aéreos continuarem, qualquer país com interesses na região pode ser arrastado — e a Ásia Central pode se tornar o próximo foco global de conflito.